Vou começar pelo meio. 
Numa viagem qualquer entre Brasília e Curitiba, leitura acidental da revista de bordo. Encontrei uma matéria em que havia entrevistas curtas de vários profissionais.
FIQUEI CHOCADO.
Foi mais que descoberta, foi REVELAÇÃO.
Revelou-se-me um mistério da minha cabeça. Talvez o que mais tenha determinado meu destino até então.
Eu cheguei a ficar com nó na garganta…deu-me vontade de chorar, tristeza, raiva… tudo. 
Enfim, em instantes passou-se a lembrança de tanta trapalhada, tanta humilhação, tanta desistência, tanta fuga… e enfim, aquilo não era só meu.
E se não era só meu, já havia um caminho. Haveria como, ao menos, eu perguntar para alguém com o mesmo probema o que ele estava fazendo. Ou poderia chegar a um psicólogo ou psiquiatra e falar, contar, narrar.
DDA fez-me humilhações terríveis na escola.
DDa tirou-me de duas grandes faculdades, às quais nunca mais voltei por considerar-me absolutamente inepto (embora parecesse um cara inteligente ao senso comum).
DDA estrangulou-me profissionalmente.
Hoje tenho 46 anos e sou um homem vítima do que li, em grande parte. 
Vítima “graças a Deus”. Pois se não fosse aquela revista de bordo abandonada sobre um assento eu jamais chegaria talvez vivo hoje, pois passaram-me muitos pensamentos de abandonar o barco em definitivo.
Ora, a vida era só atrapalho mental!
Noutra leitura, o genialíssimo Bispo de Hipona escrevera que “a vaidade é o único vício que se apega à virtude para destruí-la”. 
O que significa? 
Significa que o DDA foi minha porta de entrada para outros males que quase me destruiram igualmente. O álcool principalmente.
A soma trágica de uma personalidade tremendamente vaidosa + DDA só poderia dar em uma vida cinza, desacertada, tremendamente triste. 
Havia somente momentos de alegria esparsos, mas eram alegrias fúteis, frágeis, superficiais.
Sou portador de transtorno bipolar. Mas se este desmonta qualquer convívio (eu sei o que perdi para dizer isso!), o DDA atinge o próprio portador. Ao menos no campo imediato, pois ao longo prazo tudo prejudica.
Mas a pessoa que te ama convive com DDA, mas sofrerá muito para suportar o transtorno de humor.
Então fui atrás de concerto para o DDA.
Como todo DDA… também não persistia, por causa da profusão de idéias e da incapacidade de organizá-las.
Aí entram erros práticos que não tenho certeza de serem do próprio DDA, porque há em pessoas sem DDA também, mas certamente potencializam o cenário trágico disso.
Se vc é desorganizado mentalmente, uma conversa com grupo de amigos deixa de ser um prazer e passa a ser um desafio, um medo, pois a qualquer instante vc falará alguma coisa completamente fora do nexo, ou dará uma resposta completamente “viajada”. O que resultará em desconforto aos outros e muita humilhação ao DDA.
O álcool virou a única fonte de prazer legítimo.
Não havia o que buscar fora dele, pois do café da manhã ao último suspiro antes de dormir, era confusão de pensamentos.
E dormir já era um terror! Ir para a cama era uma condenação. Dava a sensação de que não podia, de que tinha de ficar acordado para fazer coisas, já que durante o dia inteirinho não conseguira organizar nada! Ô vida!
Assim foi.
Não vou mencionar a grande ajuda que tive de uma pessoa em particular apenas para não mencionar-lhe e porque agora não quero lembrar disso para não desconcentrar.
Mas foi assim: abandono da carreira para a qual me vejo honestamente vocacionado, abandono de quase tudo o mais por ver-se absolutamente incapaz de anotar os pontos de uma reunião e 5 minutos depois saber o que era que havia anotado.
Incapacidade de ler um livro, pois no segundo paráfrafo não lembrava o que havia lido no parágrafo anterior…
Incapacidade de… incapacidade para…incapacidade em… essa era a vida com DDA. Aliás, essa é a vida com DDA. Mas descobrindo-se em primeiro lugar ele.
E, no meu caso, no meu crer, tendo fé e persistência, consegue-se outra vida.
E tomando remédio, claro. E LER SOBRE DDA tanto a ponto de a luta contra ele não ser um objetivo, mas um hábito.
Enfim, há vida após o DDA. Há vida com DDA. Mas desde que nunca se esqueça do DDA.
É um inimigo oculto: esqueceu-se dele e ele te pega.
É isso. Estou totalmente à disposição para o que puder ajudar a qualquer pessoa.
Muito obrigado.